23/12/2009

Testemunho real: como o André entrou e saiu do mundo da droga.

Alemanha, 19 de dezembro de 2009.

Chamo-me André Carvalho Marques, nasci em 23 de janeiro de 1982, natural de Feira de Santana-BA, meu pai Antônio Gerson Sena Marques e mãe Rita de Cássia Carvalho Marques.

Quando nasci fiquei alguns dias sem nome, eu sou o primeiro neto por parte de pai e meu avô muito feliz com o primeiro neto, sugeriu a minha mãe colocar o meu nome de Idelfonso, que olhando no Almanaque esse seria o nome de sorte para mim, porém minha mãe não gostou muito da idéia e disse-o que era muito feio esse nome e iria ver outro. Nisso eu fiquei uns 15 dias sem nome e certo dia mamãe acompanhando uma Missa transmitida pelo rádio escutou o Evangelho de Marcos ( 1 ; 16-18), onde Jesus chamava aos discípulos a segui-lo, e no meio desses estava o André irmão de Simão que eram pescadores e Jesus os chamavam a serem pescadores de homens , por isso pensou em colocar-me esse nome , mas minha vó não gostou muito porque conhecia algumas pessoas com o nome de André que não faziam coisas muito boa , mas assim fui registrado com o nome de André.Após 6 meses meu avó faleceu e mamãe ficou com um pouco de remocio por não ter colocado o nome que ele queria, mas com esse nome fiquei.

Tenho duas irmãs, uma com 23 e outra com 22 anos. Desde a minha infância fui muito querido pela minha família, mas quando tinha meus 6 a 7 anos, não me recordo bem a idade, houve a separação dos meus pais, onde minha mãe saiu de casa com minhas duas irmãs e foram morar em outro lugar e eu fiquei morando com vovó (mãe de papai) e papai continuo morando em frente a casa de vovó. Isso foi uma dor muito grande para mim, sofria muito com isso, ao me deitar, todas as noites em meu quarto sozinho chorava muito quando lembrava da separação dos meus pais, como morava só vóvó e eu me sentia muito só, mesmo com tudo isso sempre vinha mamãe e minhas irmãs e papai o contato era todos os dias, mas era muito diferente de viver juntos e um dos motivos da separação foi por causa da bebida de papai e com a separação ele se entregou totalmente a bebida e me doía muito o vendo bebendo, às vezes ia buscá-lo no bar porque não agüentava chegar a casa, e tudo isso não falava a ninguém, ficava preso dentro de mim e criava um vazio. Às vezes presenciava vóvó fazer vários trabalhos em Candomblé para ver se curava papai da bebida, mas só fazia piorar.

Eu não conseguia aceitar essa situação familiar, sempre fui bom aluno, nunca perdi um ano letivo, fiquei somente uma vez em recuperação em uma matéria. Aos 10 anos comecei a andar na rua com os colegas , quando estava com eles esquecia por alguns momentos todas essas dores que passava, achava que a vida era aquilo, brincar e se divertir ao ponto de com 13 anos experimentar o cigarro de haxixe, tudo para preencher o vazio que existia dentro de mim, para ver se esquecia, mas não adiantava, fui me envolvendo sempre mais, minha família quando veio abrir os olhos já estava super envolvido, cheguei a me viciar na cocaína e para sustentar o vicio tive que começar a pegar as coisas dos outros, dentro de casa, dinheiro de vóvó e o que eu achasse pela frente, minha vida virou um terror.

Com 15 anos , quando minha família soube do que estava fazendo, me forçou ir a um centro de recuperação próximo a minha cidade, mas só fiquei lá 7 dias e fugi , ao retornar, não fui morar mais com vóvó, fui morar com mamãe e minhas irmãs , mas não deixava de andar na casa de vóvó e papai que era próximo, já não parava mais em casa e fiz todos eles sofrerem muito. Cheguei a comercializar drogas e a fumar crak, foi o fundo do poço pra mim e minha família. Quando meu pai soube que eu estava usando drogas, começou a se entregar mais ainda no álcool, porque seria a maior dor do mundo para ele, saber que eu estava usando drogas.

Com meus 17 anos não tinha mais esperança nenhuma de vida, chegar aos meus 18 anos já não se passava de um sonho devido à vida que estava levando. Toda vez quando eu chegava em casa na madrugada dopado, mamãe me dizia: “MEU FILHO, EU NÃO VOU VER VOCÊ MORRER NESSA , NÃO FOI PARA ISSO QUE VOCÊ VEIO AO MUNDO, UM DIA AINDA VOCÊ VAI SER PESCADOR DE HOMENS”.Confesso, que não dava muita importância para isso. Foi quando mamãe um dia me fez um convite, lembro-me como hoje sentada no sofá de casa comigo, olhando nos meus olhos me perguntava: “ Meu filho você quer mudar de vida?” e continuava me falando da Fazenda da Esperança e de uma rapaz que se chamava Alexandre, ele tinha passado o mesmo problema que eu e estava na Fazenda da Esperança, mas esses dias ele estava visitando a sua família em Feira e se eu não gostaria de conversar com ele para ir pra Fazenda e aceitei conversar com ele e na conversa decidir ir para a Fazenda e falei para mamãe assim: ”Mamãe, nem que seja a ultima coisa que eu faça em minha vida, eu vou a Fazenda, porém se eu não gostar de lá no outro dia estarei de volta e pode me deixar de mão”. A principio fui escondido de papai, porque ele não iria aceitar uma internação minha em um centro de recuperação, na sua concepção se eu quisesse largaria em casa, e nessas aventuras toda eu chegava na Fazenda da Esperança São Miguel em Lagarto- SE no dia 29 de março de 1999.

No inicio não entendia nada, mas sentia algo diferente neste lugar, observava pessoas com problemas maiores que os meus e eram alegres e felizes, mas eu não sabia por quê.

Escutava muito a linguagem do Amor, mas com a vida que tive no mundo, fica imaginando como poderia Amar outro homem, aos poucos fui percebendo que o Amor era cada gesto que eu fazia ao próximo, com o pegar um papel do chão, forra a cama de um irmão e outros factos, mas a caminhada não foi tão fácil. Lembro-me que ao escrever a primeira carta para papai dizendo onde eu estava, dias depois recebi a resposta dele se lamentando por ter sido o último a saber.

Com 3 meses na Fazenda fui chamado a ser coordenador de uma casa, para mim foi um momento de muito crescimento e a alegria que eu procurava nas drogas encontrava em cada ato concreto de Amor que fazia ao meu próximo. Lembro-me de quantas as vezes que tinha alguém doente eu ia atrás de remédio para levar pra ele na cama, como isso me fazia um bem e assim fui construindo a minha caminhada na Fazenda.

Durante o meu período de recuperação, foram poucas visitas que recebi da minha família, era difícil, por que com a experiência que estava fazendo via à importância de se estabelecer esse relacionamento com a família e dentro da Fazenda seria uma grande chance, mas nunca desanimei e fui para frente.

Completei 1 ano e sentia fortemente o desejo de continuar essa experiência de viver no meio dos jovens e assim doando a minha vida para Deus. Mas sentia também que a minha droga não era somente a maconha, cocaína e o crak, mas sim aceitar a minha família como ela era. Com isso sentia que ainda me faltava o relacionamento com minha família, comecei a ir em casa passar 10 dias, outras vezes 20 e assim por diante e nessas idas sempre encontrava as coisas do mesmo jeito, meu pai ainda bebendo e me doía muito, porém agora tinha claro que deveria ama-lo desse jeito, não cobrando nada e sim comecei a ama-lo. Em uma dessas idas minha em casa, estava chovendo muito e a casa dele estava cheia de goteiras, não conseguia subir no estado que estava, então subi em cima da casa e concertei todas as goteiras, outro dia me pediu para comprar uma bebida, na hora pensei comigo: “Sofro vendo papai beber e agora vou comprar bebida pra ele?” Mas senti que nesta hora seria uma chance que teria de ama-lo, porque se eu não fosse ele iria e poderia acontecer alguma coisa pior, já estava embriagado, fui e comprei.

E uma experiência que me marcou profundamente foi que eu tinha passado uma carta por fax no dia de seu aniversário que era no dia 28 de janeiro, o meu é dia 23 de janeiro, ele tinha feito uma carta pra mim, porém não tinha colocada no correio. Em uma dessas idas em casa em agosto de 2002, o encontrei mais uma vez embriagado, mesmo estando assim me chamava para sentar na cama e pedia-me para ler a carta que tinha feito no dia do meu aniversário, mas não tinha enviado; na carta falava de quanto estava feliz da vida que eu estava levando, o quanto me amava e que eu era um filho muito querido por ele e em seguida me dava dois beijos no rosto, na hora não contive as lagrimas, porque esse fato era algo que eu não me lembrava de meu pai já ter feito comigo.

Com minha mãe nessas idas em casa, sempre quando eu ia sair à noite, fazia a experiência de dizer para onde eu ia, com que e que horas chegava coisa que nunca eu tinha feito, quantas das vezes que conversávamos até tarde da noite e tudo isso me dava uma alegria plena. Essas experiências me ajudaram a ficar livre para atender o chamado que sinto de Deus a viver no meio dos jovens.

Os anos se passaram, passei 5 anos na Fazenda em Sergipe onde tudo começou para mim, fiquei 3 anos que na Fazenda da Esperança São Domingos em Porto Nacional-TO e hoje sou um consagrado da Obra e me sinto realizado como homem.

Quando posso, vou uma vez ao ano visitar a minha família que hoje muito valorizo. E para maior alegria papai já está com 6 anos sem beber, com isso vejo a manifestação de Deus.

E sempre me lembro da frase que minha mãe me dizia quando eu chegava em casa na madrugada dopado: “MEU FILHO, EU NÃO VOU VER VOCÊ MORRER NESSA , NÃO FOI PARA ISSO QUE VOCÊ VEIO AO MUNDO, UM DIA AINDA VOCÊ VAI SER PESCADOR DE HOMENS “.

Agora estou a 2 anos na Fazenda da Alemanha, onde no inicio fiz uma experiencia de viver o Amor concretamente em atos, porque até entao não tinha possibilidade de falar por causa que não dominava o idioma.

Quando vejo que estou com 27 anos,
só tenho a agradecer a Deus,
e a minha forma concreta de agradecimento
é doando a minha vida a Ele nesta causa dos excluídos.
Tenho 10 anos de Fazenda e sempre mais me sinto feliz nesta vida que levo.
Hoje tenho algo que me alimenta e me ajudar a passar por todos os meus problemas que é O AMOR A DEUS E AO PRÓXIMO e assim tenho a alegria de dizer que nasci de novo.

André Carvalho Marques

17/12/2009

Portugal luta para inaugurar a primeira Fazenda da Esperança


Os fundadores da Fazenda da Esperança já visitaram o terreno e gostaram; os portugueses já visitaram a comunidade terapêutica no Brasil e ficaram encantados; agora é a hora de trabalharem para a inauguração dessa obra em Portugal.
Eles não têm medido esforços para isso acontecer e nos escrevem como tem sido os trabalhos para estruturar a primeira comunidade naquele país. Boa leitura!

A Agência Ecclesia divulga o projecto "Fazenda da Esperança" em Portugal




Projecto internacional de recuperação de toxicodependentes chega a Portugal
«Fazenda da Esperança» conta com o apoio da Diocese da Guarda, da Câmara de Celorico da Beira e da Fundação AIS
O Projecto internacional «Fazendas da Esperança», de recuperação de pessoas dependentes de drogas e álcool, vai chegar a Portugal. A iniciativa é apresentada esta Sexta-feira, 18 de Dezembro, no Centro Pastoral D. João de Oliveira Matos, em Celorico da Beira.
Nascido há 24 anos, e com mais de 65 centros localizados em países como Brasil, Alemanha, Argentina, México, Paraguai, Rússia, Filipinas, Moçambique, a «Fazenda da Esperança» é uma comunidade católica que visa a recuperação dos mais variados tipos de dependência, através do trabalho, vida comunitária e espiritualidade.
Aberto a pessoas de todas as religiões ou sem religião alguma, o tratamento dura um ano e quem a ele recorre tem assistência básica, sendo viabilizada a sua permanência na entidade.
Com o apoio da Diocese da Guarda, da Câmara Municipal de Celorico da Beira, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre e de particulares, este projecto dá agora os primeiros passos em Portugal, estando prevista a construção da primeira casa de acolhimento no Concelho de Celorico da Beira, revela um comunicado enviado à Agência ECCLESIA pela Diocese.
A apresentação pública deste projecto estará a cargo do Padre Christian Heim, responsável pelas Fazendas da Esperança na Europa. Neste evento, estarão ainda presentes dois voluntários brasileiros que trabalham numa «Fazenda da Esperança» na Alemanha e que irão partilhar a sua experiência.
Em Maio de 2007, no Brasil, Bento XVI visitou a comunidade da Fazenda da Esperança, manifestado o seu “apreço por esta Obra, que tem como alicerce espiritual o carisma de São Francisco e a espiritualidade do Movimento dos Focolares”.
“Mediante uma terapia, que inclui a assistência médica, psicológica e pedagógica, mas também muita oração, trabalho manual e disciplina, são já numerosas as pessoas, sobretudo jovens, que conseguiram livrar-se da dependência química e do álcool e recuperar o sentido da vida”, disse então.

30/11/2009

Bodas de Ouro matrimoniais do Sr. Francisco Rodrigues e da D. Maria Teresa

Gastam-se apenas alguns minutos para se realizar um casamento, mas espera-se meio século para realizar um casamento de ouro..
Há 50 anos o Sr. Francisco Rodrigues e a D. Maria Teresa uniram as suas vidas pelos laços matrimoniais e durante todo este tempo partilharam juntos alegrias, tristezas, tanta coisa..
Amar e viver com outro exige determinação, amor recíproco e um esforço diário... Exige a entrega e a renuncia de si mesmo para o bem-estar do outro...
Bem, cinquentanos já passaram, agora estão prontos para começar a viver outros cinquenta...!!!


PARABÉNS.

29/11/2009

Pe. Ivan Hudz, colega da UCP promove uma homenagem aos milhões de ucranianos mortos na "Grande Fome»

A Capelania Ucraniana de Rito Bizantino promove a realização, no dia 29 de Novembro, um memorial religioso que visa prestar homenagem a todos os nossos compatriotas que pereceram na Grande Fome ucraniana de 1932-1933.

“A iniciativa é de rezar pelas vítimas da Grande Fome que pereceram inocentemente às mãos dum regime injusto e totalitário”, refere o Pe. Ivan Hudz, coordenador da referida Capelania.

O objectivo é unir os cristãos de Portugal e da Ucrânia “numa justa homenagem não só a todas as vítimas dessa tragédia histórica, como também lembrar os que hoje ainda sofrem qualquer espécie de perseguição e carência”.

Estima-se que cerca de 7 milhões de ucranianos tenham morrido por ordem de Estaline, que desapossou as famílias agrárias. Aldeias e vilas foram riscadas do mapa.

O Pe. Hudz deixa o convite para que nas comunidades paroquiais das várias Dioceses do nosso país seja promovido “um breve momento de oração que reflicta o comum propósito das Igrejas de Portugal e da Ucrânia para estarmos unidos na denúncia das opressões e injustiças do nosso tempo e, assim, prestarmos homenagem a todas as vítimas que nelas perecem, as quais são simbolizadas, neste preciso dia, na tragédia da Grande Fome de 1932-1933”.

Vamos prestar homenagem aos Ucranianos - uns só porque tinham terras que sabiam, com suor e dedicação, trabalhar e delas tirar o pão de cada dia. Quando temos entre nós uma grande comunidade de Ucranianos, não deixaremos de, neste dia, que neste ano é Domingo, de nas nossas Eucaristias fazer um momento de oração por aqueles que morreram na Ucrânia na Grande Fome e por todos os que ainda hoje continuam a ser vítimas da injustiça e da violência.

Em 2008, 75.º aniversário da Holodomor, Bento XVI deixou votos de que “nunca mais ordenamento político algum possa, em nome de uma ideologia, negar os direitos da pessoa humana, a sua liberdade e dignidade”, garantindo a sua “oração por todas as vítimas inocentes daquela tragédia”.

Fonte: Agência Ecclesia

22/11/2009

“Vim a este mundo para dar testemunho da verdade”

Jesus veio ao mundo dos homens para dar testemunho da verdade de Deus. A verdade de Deus é o amor, pois “Deus é amor”. Sim, Jesus veio a este mundo revelar a verdade do coração de Deus, testemunhar quanto Ele ama os homens e desvendar os seus desígnios a respeito do mundo e da história. O Deus amor sonhou e ama cada homem como seu filho e com todos os homens sonhou e quer formar uma única família.
“Vim para dar testemunho da verdade”:
  • A verdade de que Deus é Pai e ama imensamente o homem e que, por conseguinte, cada homem deve amá-lo com todo o seu coração, deixando “que Ele seja Deus na sua vida”. Dar a Deus a liberdade de ser Deus na sua vida, de manifestar nele todas as potencialidades do seu amor! Caso contrário, o homem não poderá experimentar a grandeza de Deus e nunca O chegará a conhecer verdadeiramente.
  • A verdade de que cada homem é um irmão e que, por isso mesmo, cada um deve amar o seu semelhante como a si mesmo, vendo nele um filho de Deus. Este amor fraterno é, antes de mais, doação e abertura do nosso coração e da nossa vida aos outros filhos de Deus. Depois, amor ao próximo é verdade e autenticidade, humildade e mansidão, justiça e solidariedade, misericórdia e perdão, transparência e pureza de coração e de intenções, unidade e paz.

Jesus, dando testemunho da verdade, torna possível o mundo novo - um mundo que corresponde aos sonhos de Deus e às aspirações dos homens. Na verdade, Jesus veio a este mundo para que o seu reino, que não é deste mundo, transforme o mundo dos homens, ou seja, para que o mundo do dos homens seja também reino de Deus! Um mundo que se constrói segundo a verdade de Deus e em que os homens vivem ao ritmo do coração de Deus. Esse é o mundo em que todos os homens, e não apenas alguns, se podem realizar como pessoas e atingir a sua plenitude humana.

“Tu és rei?” Jesus é rei mas não é como Pilatos. E Pilatos pode estar sossegado porque Jesus não vem para lhe roubar o lugar. Mas vem, isso sim, para lhe ensinar, a ele e aos Pilatos de todos os tempos, que ser rei (governar) é uma missão e o poder deve ser exercido com espírito de serviço, com verdade e amor.

  • O poder não confere a quem o detém o direito de o usar em seu benefício pessoal nem para impor aos outros as suas ideias ou pontos de vista, as suas crenças ou descrenças, os seus valores ou a falta deles. Pelo contrário, quem governa assume o dever de promover e garantir o bem comum de todos os cidadãos.
  • “Mandar” encerra mais deveres do que direitos, realidade ignorada pela maior parte dos que mandam. Muitas vezes, eles esquecem que a legitimidade do cargo não se esgota no facto de terem sido escolhidos para ele, mas que pressupõe também a aceitação das responsabilidades e o cumprimento dos deveres que lhe são inerentes. Quem procura o poder, se o faz por vocação, deve estar mais motivado pelo desejo de fazer bem aos outros do que por conseguir vantagens para si próprio,
  • Infelizmente, em todos os tempos e em todos os regimes políticos, com muita frequência, o poder anda de mãos dadas e convive com a mentira e a hipocrisia, com a arrogância e a arbitrariedade, com a ambição e a vaidade, com a ganância e a corrupção.
  • Infelizmente, muitos governantes usam o poder para atentar contra direitos e valores que deveriam proteger e salvaguardar. É ilegítimo o uso do poder em tais circunstância, mesmo que seja um poder obtido democraticamente.

- É, pois, ilegítimo usar o poder para legislar contra a vida, como no caso do aborto e da eutanásia. A vida humana é anterior e vale mais do que qualquer tipo de poder humano. Por isso mesmo, nenhum poder humano se pode sobrepor à vida humana, decidindo o termo da mesma.

- Usa-se ilegitimamente o poder contra a família, quando se protege e favorece mais o divórcio que o casamento, ou quando se quer dar o estatuto de casamento às uniões de pessoas do mesmo sexo. As pessoas tem direito a ser diferentes, mas não podem, ao mesmo tempo, reivindicar os direitos como se fossem iguais. Ou uma coisa ou outra! É uma questão de justiça e de igualdade!

- Usa-se ilegitimamente o poder, quando os governantes favorecem os interesses dos ricos e dos grandes grupos económicos, em detrimento dos trabalhadores e dos cidadãos comuns, aumentando as desigualdades e as injustiças sociais.

- Abusam do poder aqueles que procuram erradicar, em nome dos direitos de certas minorias, os sinais religiosos dos lugares públicos, como a recente determinação do tribunal europeu que exige a retirada dos crucifixos das escolas italianas. Mas será que os direitos das minorias valem mais do que os direitos das maiorias? Ou, pior ainda, as maiorias, sobretudo se são maiorias cristãs, não têm direitos? Não é legítimo nem aceitável que o fanatismo religioso de alguns ou a descrença de outros roubem a liberdade aos cristãos, como se a liberdade destes valesse menos do que a intolerância daqueles.

- Na mesma linha, abusam do poder aqueles que, em nome de uma laicidade mal entendida, implementam uma educação sem Deus, esquecendo por completo a dimensão espiritual das crianças e dos jovens. Deste modo limitam os seus horizontes existenciais e impedem-nos de um desenvolvimento integral e harmonioso.

Jesus ensina, com o seu exemplo, que ser rei é servir, amando as pessoas ao ponto de se sacrificar e dar a vida por elas. O bem dos cidadãos é que deve motivar e animar toda a acção governativa. Só assim se constrói uma sociedade justa e fraterna, um mundo de amor e de paz.

10/11/2009

Nestes lugares sentir-se bem é natural

Mas que lugar lindo! Estas e outras expressões são as que recebemos tanto dos que visitam as Fazendas da Esperança como dos que chegam para lá passar 12 meses de luta para se recuperarem.

Os responsáveis procuram ficar atentos a harmonia das Fazendas, pois é ela que faz com que os recuperantes se sintam bem e aconchegados. “Muitas pessoas ao despedirem-se afirmam ter sentido a presença de Deus nas nossas casas e isso só é possível graças ao esforço dos jovens em manter a comunidade bem arrumada”, afirma frei Hans Stapel, franciscano, fundador da Fazenda da Esperança.
Os jovens recém-chegados, nos primeiros três meses de recuperação, inserem-se no chamado período de triagem, pois nesse período não recebem a visita dos seus familiares e esse é o tempo mais difícil para todos os internos.
Enquanto eles procuram organizar o seu interior desestruturados pelas drogas e álcool também ficam, na maioria das vezes, responsáveis pela harmonia das suas comunidades. Trabalham na jardinagem, nas limpezas dos espaços comuns e são acompanhados mais de perto para se poderem reestruturar.
Mesmo depois de passam por este momento, os recuperantes são orientados a continuar a viver a harmonia nas suas vidas. A limpar a casa de banho das sua casa, a arrumar a cama onde dormem, a lavar bem as roupas que usam...
Muitas vezes os responsáveis, procuram comparar o estado do seu guarda-roupa com o estado em que está a sua vida, buscam cativar os jovens a manter organizadas as obrigações que assumem dentro da comunidade terapêutica.
Reformar as casas, pintar, procurar que fiquem bonitas é a obrigação de todos como também a de procurar conservar o que tem, não usar de forma errada e procurar não interferir de forma negativa onde moram faz parte do dia a dia dos “fazendeiros”.
No primeiro momento é um pouco complicado, pois os jovens chegam da sociedade completamente destruídos, sem chão, sem rumo, pois as drogas tiram-lhe tudo até mesmo o uidado que deviam ter consigo mesmo. No entanto, na Fazenda da Esperança tem a oportunidade de reconquistar isso.
Isso acontece quase indirectamente, porque quando um jovem consegue contribuir para a manutenção ou reconstrução de uma casa ele sente-se capaz de conduzir harmoniosamente sua vida.

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02/11/2009

A FAZENDA DA ESPERANÇA está a nascer... no Maçal do Chão

Onde tudo começou

Fo nesta humildade terra onde tudo começou
Na igrejinha de Nossa senhora da Glória em que o frei chegou
Vivendo com simplicidade a dor, o Evangelho fez brotar
Uma semente de esperança, vários jovens passaram a sonhar

E no início tudo era apenas um sonho tão belo
mas no dia a dia formou-se com Deus um forte elo,
Naquele tempo muito poucos poderiam imaginar
que de pequenas obras algo de grandioso se iria formar.
.
Mas o caminho amigo não foi fácil não
Foi necessário muita luta, força e amor no coração.
As dificuldades surgiram e o sofrimento apareceu
Mas no final de tudo o amor prevaleceu.
Graças a Deus e a muita gente de boa vontade.
Todo este povo tem hoje uma nova realidade
De muita esperança pra ser feliz
Mas para isso muita gente morreu para o que quis.
.
Hoje o passado e o presente servem para nos mostrar
Que a vivência da palavra e a fé podem transformar
A vida de qualquer pessoa e fazer aparecer
Um novo mundo onde o que importa é o amor vencer.
.
E vários jovens passam a seguir essa filosofia
E um deles vive-a plenamente, exactamente numa esquina
Morrendo para a sua vontade, emprestendo o que era seu
Para outro jovem que com esse gesto percebeu
Que se o amor prevalece, algo de bom acontece
Como a fazenda da Esperança que até hoje ainda cresce (agora no MAÇAL DO CHÃO)
Tirando tantos das drogas e mostrando o amor de Deus
Dando um sentido à vida, pois esse sentido é Deus
por mais dificil que pareça ser uma situação
.
ACREDITE, ela tem uma solução
Olhe pra trás e veja como tudo aconteceu
De pequenes gesto de amor, uma nova realidade nasceu


CD "Devolver um alma ao mundo" - Fazenda da Esperança

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